O bloco oriental, com a China e o Japão na liderança, detém mais de metade dos títulos de dívida do Tesouro americano em mãos estrangeiras. Em um ano, um clube restrito, formado pela China, Reino Unido, paraísos fiscais das Caraíbas e Suíça, apostou significativamente num aumento nestas aplicações. A América continua a respirar de alívio.

Entre Junho de 2008 e Junho de 2009, a China e Hong Kong investiram mais 276 mil milhões de dólares em títulos de dívida do Tesouro americano, alcançando um valor recorde de 876,2 mil milhões de dólares, uma fatia de 26% do total em títulos na mão de estrangeiros. Também o Japão continua a ‘segurar’ a dívida pública dos EUA, dispondo de 21% destes títulos.

No conjunto, os nove principais emergentes asiáticos (China, Hong Kong, Taiwan, Singapura, Índia, Coreia do Sul, Malásia, Filipinas e Tailândia) mais o Japão dispõem de 54% desses títulos, representando a verdadeira almofada de segurança de uma América sobreendividada e com uma divisa em risco de colapso. Os famosos BRIC (o clube dos quatro grandes emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China segundo as letras do acrónimo) totalizam 1/3 dos títulos do Tesouro do Tio Sam em mãos estrangeiras.

Os dados foram divulgados, agora, pelo Tesouro americano na sua informação mensal sobre o ponto de situação dos títulos de dívida na mão de estrangeiros que somavam, em final de Junho, 3,3 biliões (triliões, na designação anglo-saxónica) de dólares, mais 31% do que doze meses antes.

Depois da China e do Japão, o Reino Unido é o terceiro país com mais aplicações nestes títulos, e inclusive subiu a sua posição em 290% em relação há um ano e em 30% em relação a Maio passado. Foi a maior subida percentual de todos os grandes tomadores estrangeiros de títulos do Tesouro americano. Toda a Zona Euro representa pouco mais do que o Reino Unido – 8% do conjunto desses títulos em mãos estrangeiras contra 6% deste último.

O clube dos melhores amigos da dívida americana agrupa o Reino Unido (que serve, também, de plataforma financeira internacional), que quadruplicou a sua posição, os paraísos fiscais das Caraíbas, que aumentaram em 78% a sua aposta, a Suíça que aumentou 59% e a China e Hong Kong que aumentaram em conjunto 46%.

Contudo, numa apreciação em cadeia, em relação ao mês anterior (Maio de 2009), a China, os exportadores de petróleo, os paraísos fiscais das Caraíbas e a Rússia diminuíram sensivelmente as suas posições em 1 a 4%. Não se trata, ainda, de debandada.

No entanto, no caso da China, a redução entre Maio e Junho deste ano em 25 mil milhões de dólares é a maior em nove anos e é interpretada como um primeiro sinal de alinhamento com o seu discurso político, desde os encontros do G20 durante esta crise, a favor de uma alternativa ao dólar como divisa internacional, posição que é secundada pelos outros membros do clube dos BRIC.

Entre os BRIC, o Brasil foi o país que reduziu a sua posição em relação há um ano (cerca de 12%), apesar de a ter aumentado sensivelmente entre Maio e Junho deste ano.