Importações feitas pela China reanimam comércio mundial – esta será provavelmente a melhor noticia do ano. A China revela-se de novo como ‘locomotiva’ do comércio mundial. Só que, agora, paradoxalmente, não como principal exportador mundial, mas como importador ‘salvador’. Um estudo da Moody’s Economy, divulgado esta semana, considera este facto a notícia decisiva do ano.

O mundo ficou do avesso com a crise. A saída da contracção do comércio mundial (que será de 10% este ano, segundo as estimativas da Organização Mundial do Comércio), e por arrastamento da economia real, estará a ser alimentada pelas importações feitas pela China, segundo um estudo desta semana da Moody’s Economy (uma empresa de análise de dados pertencente ao grupo da agência de notação financeira Moody’s Investors Service).

A China que se tornou no maior exportador mundial (ultrapassando a Alemanha) e tudo o indica, também, no maior fabricante do mundo (ultrapassando os Estados Unidos), inverteu a estratégia de exportação a todo o custo para dar uma “ajuda” ao combate à crise internacional.

Fruto do seu pacote anticrise de 460 mil milhões de euros, os chineses dinamizaram o mercado interno, por via do consumo e dos projectos keynesianos estatais infra-estruturais (incluindo áreas como tecnologias de informação e comunicação e tecnologias ‘limpas’), o que estaria a ‘puxar’ pelas importações, como pode ser observado num gráfico disponibilizado pela Moody’s.

Vários analistas, entre eles Robert Madsen do MIT, salientaram no início do ano que a principal ‘arma’ anticrise seria a viragem dos países com excedentes comerciais (com a China à cabeça) para a importação.

O disparo das importações chinesas já arrastou a reanimação de algumas economias asiáticas exportadoras como a Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Indonésia, segundo refere a Moody’s, e poderá animar, também, a Alemanha e o Japão (apesar de este país continuar a patinar na crise que se arrasta desde os anos 1990).