Ter 12 Mai 2009
O ocaso do Atlântico? – ensaio sobre uma hipótese
Por JNR na secção A questão dos impérios , Geoprotagonistas , Globalização , Inteligência Económica[2] comentários
O Mar-Oceano que nos banha domina a História da Europa há mais de quinhentos anos. A aliança que se formou entre as suas duas margens comandou a geopolítica no século XX. Agora que a crise financeira bateu fundo e que as novas potências emergentes se afirmam politicamente na mesa dos grandes, o mapa-mundo parece «deslizar» para o Oriente. Nós ficamos numa extrema.
Do Atlântico sempre veio bom vento de negócio e bom casamento político para a Europa. Com as navegações de Quinhentos chegaram o ouro e a malagueta da Guiné, as especiarias e as pedrarias da Índia pela rota do Cabo, o bacalhau do Lavrador, a prata de Potosi e de Guanajuato. E, também, a globalização do ignóbil comércio esclavagista negreiro. Depois vieram o ouro e os diamantes do Brasil e a Revolução americana. Os europeus emigraram massivamente para o Novo Mundo. Os portugueses inclusive «deslocaram» através do oceano a sede do império por uns anos para o Rio de Janeiro quando Napoleão quis dominar o continente europeu de Lisboa a Moscovo.
O «tio» da América deu a mão depois a uma parte da Europa nas duas Grande Guerras e ainda nos mandou o Plano Marshall, o escudo defensivo contra a chamada Cortina de Ferro, as modas da Coca-Cola, dos jeans e de Hollywood, a ‘terceira vaga’ dos chips e dos computadores pessoais, os gurus da gestão, e mais recentemente a Internet.
O Mar-Oceano – como os europeus chamavam há muitos séculos atrás ao Atlântico – que nos banha deixou uma marca inconfundível: o ter sido o berço da globalização económica e política, graças, primeiro, às Navegações portuguesas, e depois a espanhóis, holandeses e ingleses.
O Atlântico é como que o centro do mundo – os mapas-mundo vendidos na Europa e nas Américas colocam este oceano no meio de tudo.
Tempos que parecem estar de partida
A crise financeira da Wall Street nova-iorquina, que começou como uma doença localizada nuns produtos financeiros de que ninguém ouvira falar até ali – subprime -, transformou-se num tsunami global que galgou rapidamente as distâncias geográficas oceânicas, à velocidade dos fluxos electrónicos.
E, ao contrário do passado, em que as crises financeiras graves mas pontuais tomavam o nome de «asiáticas» ou «latino-americanas» ou mesmo do país de origem, o vírus da Wall Street contaminou, agora, rapidamente a Europa. Um ‘Velho Mundo’ que era elogiado pela alegada solidez financeira de uma Suíça, pela praça global londrina alternativa à Wall Street em várias áreas, e pelo comportamento de aço dos homens do Banco Central Europeu (BCE) que contrastava com a «irresponsabilidade» de um Alan Greenspan, o ex-presidente da Reserva Federal americana, a quem muitos responsabilizam pela desregulação financeira e pelos assomos cíclicos de «exuberância irracional» das últimas décadas.
Se a Wall Street já leva uma quebra histórica de 54% desde o seu último pico especulativo em Outubro de 2007, a segunda maior da sua história, as bolsas europeias não ficaram atrás e até um país tido como rico – a Islândia – já faliu. Foi a primeira vítima nacional dessas inovações criadas por magos financeiros que aproveitaram a janela de oportunidade aberta nos EUA pela revogação de regulações que vinham, algumas delas, das lições dolorosas da Grande Depressão.
Outros países europeus estão na linha de risco quer no Leste – entre aderentes e não aderentes da União Europeia (UE) – como dentro da própria UE (Áustria, Itália, Grécia, Irlanda, para citar os na ribalta). Teme-se que a Europa arranje agora o seu próprio subprime com uma crise financeira devastadora na Europa de Leste. Os líderes europeus naturalmente não gostaram desta invasão viral num dos circuitos sanguíneos vitais – a alta finança.
Criatura nova
Mas o contágio era inevitável em virtude da globalização financeira que se acentuou nas últimas décadas e de que a City londrina, a Suíça, o Luxemburgo, os offshore europeus e a banca europeia beneficiaram largamente. E é provável que a actual crise financeira seja uma criatura nova ao fim de um processo de evolução: “O sector financeiro transformou-se mais rapidamente do que qualquer outra actividade económica e as crises intermitentes do passado – como as do México, Japão, Sudeste asiático, Rússia – já podiam estar a reflectir a emergência de algo novo”, afirma William Thompson, professor na Universidade de Indiana, um dos «pais» da teoria dos ciclos longos geopolíticos e director de uma revista académica de estudos internacionais.
Essa criatura tem naturalmente uma «estrutura». Como revelou a revista ‘New Scientist’, 66 grupos de investidores institucionais geriam 75% das movimentações especulativas mundiais que eram da ordem de 1700 mil milhões de euros por dia (4% do PIB mundial anual) na véspera do aprofundamento da crise no final de 2008. Ou seja, em menos de um mês passava pelos dedos destes dadores de ordens electrónicas o equivalente à riqueza produzida pela economia real em 360 dias.
Apesar de um novo «amigo» em Washington, os líderes europeus parecem continuar a não comungar excessivamente do voluntarismo financeiro do outro lado do Atlântico. O BCE mantém um nível de taxas de juro mais elevado do que o definido pela Reserva Federal americana ou o Banco de Inglaterra que adoptaram uma abordagem «à japonesa», com taxas progressivamente mais próximas de zero, alegadamente para não deixarem cair os que são demasiado grandes para falir e na esperança que umas migalhas caiam na economia real. E os dezasseis ministros das Finanças do Eurogrupo (zona euro), ainda recentemente, disseram «não, obrigado!» ao apelo de Lawrence Summers, o conselheiro económico do presidente Obama, para mais intervencionismo anticrise «à americana». Os europeus parecem distanciar-se do amigo americano no discurso político anticrise.
Distanciamento latente que bebe vigor em duas outras fontes. Primeira: a necessidade da Alemanha desenvolver uma nova Ostpolitik face à Rússia, que julga poder dar cartas de novo na cena mundial aproveitando as fraquezas europeias (como no gás, na capacidade de defesa e no Estado de Bem-Estar social) e americanas (declínio político de influência global com a anterior Administração Bush). Segunda: a viagem sintomática da Secretária de Estado Hillary Clinton à China, insistindo com os chineses que têm de continuar a financiar os americanos. O que Hillary não disse em público é que concessões geopolíticas globais os EUA estão dispostos a dar em troca.
Moral da história: a Alemanha tem muitas dores de cabeça a Leste e tem de voltar a dar atenção estratégica a esse lado da sua fronteira, ficando o Atlântico cada vez mais longe; e os Estados Unidos reconheceram publicamente o novo estatuto da China como seu parceiro estratégico fundamental nos tempos mais próximos, o que alguns já chamam de G2.
O mosaico pode tornar-se, por isso, muito mais complexo que o antigo esquema simples do eixo Atlântico. Diz Thompson: “Na medida em que os EUA se focalizem mais na Ásia, é possível que as relações euro-americanas percam peso. Mas também é provável que os próprios europeus se tornem mais orientados para oriente – gás russo, petróleo da Ásia Central, produção chinesa, outsourcing de serviços na Índia. O que pode resultar num relacionamento euro-americano bem mais complexo, com ambas os lados do Atlântico sujeitos a pressões e oportunidades alternativas”.
Orfandade da Europa
Diferenças entre os dois lados do Atlântico que poderão ter uma dimensão mais vasta ainda: “No plano ideológico e político da prática social, as diferenças são cada vez maiores. A Europa da União Europeia é uma construção precária e pouco ágil, cujo papel no mundo enfraqueceu e, sinceramente, não vejo como poderá voltar a ter preponderância. A América, com todos os seus contrastes e desequilíbrios, continua surpreendente e capaz de «acreditar no progresso», como escreveu o guru irlandês da gestão Charles Handy”, diz o economista e professor jubilado Mário Murteira, director de uma revista de geoeconomia. Alguns analistas defendem que os EUA revelam ainda maior capacidade de adaptação – um ingrediente darwiniano fundamental em época de choques – do que o ‘Velho Mundo’.
O que deixa a Europa numa situação de orfandade. O investigador Dylan Kissane, francês de origem, mas radicado na Austrália, sublinha-nos: “O problema central da Europa é a sua identidade. O que é que Europa realmente quer dizer? O que é um europeu?”. Apesar de ser a maior economia do mundo, se encarada integradamente como União Europeia, a dependência estratégica do Reino Unido e do continente europeu em relação ao eixo atlântico desde o início do século XX marcou-lhe o destino. Com a perca de importância desse eixo atlantista por mudanças de estratégia do «tio» da América, sofre a Europa. «A Europa corre contra o tempo à medida que o eixo se desloca», ironiza Kissane, que trabalha na Universidade do Sul da Austrália.
E com o declínio do peso relativo do Atlântico poderá perder também o Brasil. É um cenário que Thompson deixa: “Estar nas bordas do Atlântico pode ser uma desvantagem até certo ponto, apesar das descobertas de petróleo. Mas, no final, depende de como o Brasil vai emergir na sua relação com a economia mundial – um fornecedor de matérias-primas ou um centro tecnológico de inovação, ou uma mistura equilibrada disso”.
Inversão radical do eixo do mundo
Mas esta «deslocação» do eixo do mundo não nasceu de um dia para o outro. É um processo evolutivo. A crise financeira global de 2007/2009 apenas está a dar mais um empurrão.
O ciclo atlântico começou a ficar cinzento no começo dos anos 2000 quando a consultora Goldman Sachs veio falar da emergência de uma nova realidade geoeconómica, os quatro BRIC (grupo de Brasil, Rússia, Índia e China), e dentro desta dos dois gigantes asiáticos. A consultora punha inclusive datas para a China e a Índia ultrapassarem vários países europeus e o Japão no clube dos grandes. E, finalmente, os próprios EUA no caso da China (2030, e depois «corrigida» para ainda mais cedo, para 2020). Foi um choque.
Há uma comparação que diz tudo, refere-nos William Bernstein, historiador económico americano e autor de ‘A Splendid Exchange – How trade shaped the world’: “Em 1960, a Ásia valia 20% do PIB mundial, enquanto o tal eixo atlântico contava com mais de 54%. Agora inverteu-se radicalmente: a Ásia já está à frente do eixo atlântico por alguns pontos percentuais”.
A rápida ascensão da China a segunda (depois dos EUA) ou terceira (depois dos EUA e do Japão) economia nacional do mundo – depende de como se mede o produto interno bruto – e a sua projecção geopolítica por vários continentes, particularmente os banhados pelo Atlântico (América Latina, onde já é o segundo parceiro comercial, e África), veio baralhar o jogo deste eixo atlântico de mais de quinhentos anos.
Muitos investigadores da geopolítica rapidamente vaticinaram a “re-Orientação” do mundo, a deslocação da centralidade do Atlântico para o Oriente, particularmente para o Pacífico banhado por um bom lote de economias com altas taxas de crescimento nos últimos vinte anos – várias gerações de «tigres do Pacífico» – e por grandes e médias potências (EUA, China, Japão, Rússia, Canadá, Coreia do Sul, México, Indonésia, Austrália).
Um olhar vindo da Austrália é absolutamente radical: “O Atlântico está a terminar o seu papel de quinhentos anos. O eixo central do século XX baseado na aliança entre a Europa e os Estados Unidos também. O Atlântico é hoje importante apenas para os seus povos. Pelo contrário, a Ásia-Pacífico está a emergir como elemento decisivo para todo o mundo”, refere-nos Dylan Kyssane, responsável por estudos recentes sobre mudanças na balança de poder mundial. Ele aponta 2015 como um ano eventualmente charneira em que essa nova visão do mundo ficará mais evidente. E acrescenta: “Há um único espaço onde a maioria dos grandes, a China, a Rússia, o Japão e os Estados Unidos se intersectam – o Pacífico. O deslocamento do centro do poder não é uma questão hipotética; o único ponto pendente é saber quando emergirá tal eixo do Pacífico como tal”.
E, nesse espaço, a China surge como a potência dominante do futuro, em muitos cenários futuristas. Mas o americano Thompson coloca alguma água na fervura: “O já falecido André Gunder Frank disse uma vez que a economia mundial já havia sido sino-cêntrica, que tinha temporariamente se deslocado [para a Europa], e que agora estava de regresso ao que era anteriormente. Parece-me muito exagerado. A questão que continua em aberto é se a China se tornará o centro tecnológico da economia mundial no mesmo sentido que antes o foram os EUA e a Inglaterra”.
No entanto, a «deslocação» é indesmentível em termos de números. Um estudo dos investigadores portugueses Fernando Fonseca e Fernando Gonçalves ao conjunto dos membros do G7 (os sete chamados mais ricos – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) e dos quatro BRIC revela que, entre 1994 e 2003 (ano para o qual dispunham de dados oficiais mais recentes numa bateria de indicadores), os únicos dois países que aumentaram o seu peso relativo enquanto potência foram a China (que subiu espectacularmente 41 pontos!) e a Índia (mais modestamente, cerca de 7 pontos). Todos os outros baixaram o seu peso, ainda que os EUA muito suavemente. Em termos de agregados geográficos, o espaço da Ásia Oriental lidera na escala de peso relativo desde 1994, e viu todos os outros grandes espaços diminuir de peso naquela década analisada.
Uma primeira ameaça à centralidade do Atlântico já havia surgido quando os japoneses nos anos 1980 tentaram desalojar os EUA como economia mais dinâmica do mundo e chegaram a inventar um «capitalismo de rosto humano» contra o capitalismo do Tio Sam. A escalada do ‘Sol Nascente’, no entanto, acabaria por ser travada com a crise japonesa que dura há mais de quinze anos, sem luz ao fundo do túnel.
Um mapa estranho
Em vinte anos, o mapa-mundo que tem em frente dos seus olhos «deslizou» – agora o centro do mundo está no Pacífico, o calmo oceano que o ‘conquistador’ espanhol Vasco Núñez de Balboa avistou primeiro que qualquer outro europeu e que Fernão de Magalhães atravessou vindo do Atlântico. Se visitar empresas em Singapura ou em Seul, ou em Tóquio ou Beijing é provável que veja na parede pendurado um mapa estranho, em que o pequeno rectângulo português fica situado numa extrema dando para o abismo oceânico sem continuidade.
Resta saber como a crise actual com a sua derrocada financeira e a quebra no comércio internacional vai afectar os países asiáticos que viveram do modelo exportador e do circuito virtuoso do dólar – nomeadamente a China, que é o maior exportador do mundo. “A tão propalada crise atingiu também a China, que inevitavelmente necessita de certa introversão – mas não fechamento – na sua estratégia económica”, diz Murteira.
Irá esta Grande Depressão mundial – como já lhe chama o Banco Mundial – estragar o «deslizamento» para Oriente? Thompson uma vez mais deixa um aviso: “O impacto imediato desta crise será abrandar os processos, e por isso as viragens, na economia mundial”. O «deslocamento» pode ir para intervalo.
No entanto, o professor americano não tem dúvidas que ganhos políticos a curto prazo surgirão a favor da balança oriental: “Um ganho concreto é a maior sensibilidade à participação asiática na gestão da economia mundial – poderemos assistir, de facto, a um movimento de enfraquecimento das deliberações do G7 ou G8 [que agrega a Rússia] a favor de um grupo mais alargado e menos centrado nos interesses do eixo Atlântico”. Grandes economias como a China e a Índia continuam estranhamente arredadas da mesa do G7 – um grupo que pode ter os dias contados. A reunião em Londres do G20 (o grupo que além dos chamados ‘ricos’ abrange os BRIC e outros emergentes) realizada em Abril foi um primeiro sinal desta mudança.
O escaldante Índico
A ‘orientalização’ das preocupações das grandes potências recebe ainda mais uma ajuda há muito previsível: o Índico promete regressar como um oceano «escaldante». Já não por causa das guerras entre portugueses contra «rumes» (turcos e egípcios) e indianos no século XVI e entre portugueses contra holandeses no século XVII em torno das rotas das especiarias, mas por causa da crise do petróleo.
O Índico é o oceano mais importante nas rotas marítimas do petróleo – a mais importante commodity da economia mundial actual, a mais valiosa ‘especiaria’ de hoje em dia naquele oceano que se relaciona com o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico, o Mar do Sul da China e o Atlântico. Pelos «gargalos» estratégicos dos estreitos de Ormuz, Bab-el-Mandebe e Malaca, pelo canal do Suez e pelo Cabo passa diariamente o maior peso do comércio mundial. O Índico monopoliza 50% do tráfego de contentores marítimo e 70% dos produtos petrolíferos. Pelo estreito de Ormuz (entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã) passa 40% do petróleo e pelo estreito de Malaca 40% do comércio mundial marítimo.
“Com o crescimento económico de longo prazo na Ásia é natural que os próprios fluxos de crude ainda dominantes do Índico para o Atlântico e o Mediterrâneo sejam substituídos pela direcção Índico/Pacífico, onde os estreitos de Malaca e Sonda, ou o porto estratégico de Singapura, assumirão cada vez maior relevo global”, adianta o historiador económico Bernstein.
Pirataria, terrorismo, risco de estados-falhados e choques entre zonas de influência entre grandes potências ribeirinhas (como a Índia) e outras com interesses vitais na região (como a China, o Japão e os Estados Unidos) poderão tornar-se regulares. Os mais optimistas esperam que essas potências consigam criar uma parceria de polícia. Um documento americano, ‘Marine Corps Vision and Strategy 2025’, parece ter uma certeza: o Índico e os mares adjacentes serão um teatro central de conflito global e de competição neste século.
A vantagem do Atlântico que sobrevive
Mas tudo isto não significa a morte súbita do Atlântico. “O eixo atlântico ainda tem uma vantagem descomunal em relação à Ásia – a força institucional”, sublinha Bernstein. E não se refere só à democracia como regime político face às ditaduras que ainda perduram naquela região (como o caso da China). Fala de um conceito largo de base institucional: “Com excepção de umas pequenas bolsas, a Ásia é absolutamente dominada pela corrupção e por grande instabilidade política”. O historiador americano deixa uma porta entreaberta de optimismo: “O eixo atlântico não está a desvanecer-se de imediato no mapa-mundo na sua parede”.
Ideia que é compartilhada por Mário Murteira: “Julgo que ainda resta desse eixo um certo património comum – um sistema de valores, incluindo certa visão do «progresso» como desenvolvimento humano. Este núcleo, mesmo tendendo para residual, ainda assegura o nosso horizonte numa navegação cada vez mais incerta”.
E além de viverem num tempo longo, este tipo de «deslocações» não são de soma nula, diz Thompson: “Se o Pacífico se tornar o novo centro mundial, o papel do Atlântico dependerá crucialmente da capacidade de inovação tecnológica da Europa. O Atlântico não estará condenado a ficar um charco estagnado”.
E o professor americano recorda a História: “Quando Portugal abriu o caminho para o Índico à penetração europeia, não condenou o Mediterrâneo ao esquecimento. Diminui-lhe o peso no comércio de longa distância nomeadamente nas especiarias, mas isso inclusive foi temporário, como se verificou uns cinquenta anos depois”.
O que eclipsou o Mediterrâneo e o próprio Índico foram os novos ciclos de commodities centrados nos fluxos entre a Europa e o Novo Mundo, quando as especiarias deixaram de fazer girar o mundo com a decadência do império holandês e a irrupção da Revolução Industrial. Mas isso aconteceu mais de duzentos anos depois de Vasco da Gama ter chegado a Calecut e provocado um acidente vascular cerebral em Veneza e em Alexandria.
Maio 14th, 2009 at 20:14
[...] qualquer outra actividade económica e as crises intermitentes do passado … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Maio 17th, 2009 at 21:25
Viva!
Excelente tema. Numa altura de tanta incerteza e volatilidade, textos como este são oportunos e esclarecedores.
Como curiosidade, em 2001, cruzei-me pela primeira vez com um mapa mundo, visto pelo olhos de chineses, e lembro-me de me ter sentido um pouco confuso. Pode parecer uma mapa estranho para nós, mas é a mesma realidade!
Cumtos,
Jorge Vieira