Março 2009


Chegou a hora de fazer a “actualização” das estruturas multilaterais saídas da Conferência de Bretton Woods de há sessenta e cinco anos, diz-nos, numa curta entrevista, o economista James Boughton, historiador do Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 2004, nas vésperas da reunião do G20 de quinta-feira próxima (2 de Abril) em Londres.

A realidade fez emergir uma plataforma de diálogo e de resolução mais ampla do que o tradicional ‘clube dos ricos’, o G7 (e por vezes mais um, o G8), de onde grandes potências económicas como a China, a Índia ou o Brasil têm estado afastadas, bem como vozes como a África do Sul ou os árabes.

Apesar da resistência do pequeno grupo de potências do G7 ao alargamento do clube, a crise global – a que alguns já chamam de nova Grande Depressão – impôs a entrada de facto, ainda que sem grande alarido, de um novo multilateralismo. O pequeno grupo de potências do G7, herdeiro de uma era já passada, ainda não reconheceu abertamente esta viragem.

Boughton publicou na edição de Março da revista Finance & Development do FMI um artigo de balanço das lições da história das conferências e acordos relativos ao sistema financeiro mundial desde os anos 1910 até hoje. Algumas destas lições são de grande actualidade.

Uma versão completa em inglês desta entrevista pode ser lida na janelanaweb.com.

P: Com a grande crise actual, estamos a assistir ao fim da era de Bretton Woods?
R: As instituições e o sistema que saíram da conferência de Bretton Woods de 1944 serviram bem o mundo por mais de 60 anos. É, no entanto, óbvio que têm de ser actualizadas. O mundo mudou enormemente, e hoje muitos mais países são participantes importantes do comércio e da finança internacional. Só se todos os grandes países tiverem um lugar à mesa e voz efectiva nas decisões será possível que as instituições de hoje desempenhem um papel positivo no futuro.

P: O G20 é o próximo clube a impor-se?
R: O G20 emergiu naturalmente há uma década como um fórum para discussão de temas comuns e de problemas envolvendo os principais participantes do comércio e da finança internacional. O que aconteceu em meses recentes é que o grupo começou a reunir a alto nível, para além das reuniões regulares dos seus ministros de finanças. Este alargamento do papel do processo das cimeiras, para o tornar mais inclusivo, é um sinal muito positivo.

P: Mas não será grande demais para liderar?
R: A liderança pode vir a acontecer de um grupo mais pequeno de países dentro do grupo, mas essa liderança será mais legitimada se resultar de um largo conjunto de inputs de todo o mundo.

P: Que tipo de grupo mais pequeno será necessário para enfrentar esta crise sem precedentes?
R: A liderança dos EUA é sempre essencial, porque é a superpotência e a maior economia do mundo. A unidade europeia é também crucial. Países como os do Pacífico oriental e os maiores mercados emergentes da América Latina, Médio Oriente e Sul da Ásia têm também muito para contribuir. A África do Sul, que também é um membro do G20, tem uma perspectiva única devido ao seu entendimento dos problemas dos seus vizinhos pobres. A promessa do G20 é precisamente a de trazer estas diferentes perspectivas para uma mesma sala.

P: Uma das lições que tirou sobre a história do sistema de ‘governança’ económica e financeira mundial dos últimos noventa anos – e que publicou no artigo na revista do FMI – é que, no final, o efeito das decisões depende de quem se senta ou não à mesa. O equilíbrio de poderes geopolítico é sempre decisivo em última análise?
R: Há um certo paralelo entre a forma como funcionou Bretton Woods em 1944 e a forma como funciona hoje o G20. Em ambos os casos a liderança proveio dos maiores países, mas um grupo representativo (44 no total em 1944, e 20 hoje) participou activamente. Não só na conferência, mas também nas reuniões preparatórias, onde a agenda foi desenvolvida e muitas decisões preliminares foram encontradas. Esta combinação de um grupo de líderes e de um grupo mais vasto de participantes parece-me ser fundamental para se obterem bons resultados.

P: Refere, também, nesse balanço que fez, que em todos os acordos ao longo dos últimos sessenta anos, algumas metas tiveram de ser colocadas de lado. O que o preocupa hoje, que possa ser posto de lado, e não devesse ser?
R: Um dos riscos hoje é que as necessidades dos países de baixo rendimento sejam esquecidas, se não forem convidados a participar directamente nas decisões. A crise em curso está a ter efeitos devastadores nesses países mais pobres do mundo, uma espécie de “terceira vaga” de efeitos, como lhe chamou o director do FMI. Outro risco é que a pobreza e a degradação ambiental sejam secundarizadas, dada a atenção nas necessidades imediatas. O que me parece claro é que quanto mais alargada for a participação nas grandes discussões de política internacional, maior hipótese terão estas questões de ser abordadas.

A escorregadela ontem (25 de Março, 2009) de Timothy Geithner na lição teórica do governador do Banco central da China vai ficar nos anais.

Timothy Geithner no mesmo dia admitiu estar “aberto” a uma secundarização do dólar proposta, de um modo suave, pelos chineses para depois emendar a mão. O dólar desvalorizou de imediato 1,2% face ao euro e a Wall Street caiu 1,5%. O euro vale hoje 6% mais do que a nota verde valia no dia de tomada de posse do presidente Barack Obama. 25 de Março foi um dia para esquecer para o secretário do Tesouro de Obama.

Por detrás desta guerra de informação e contra-informação sobre o futuro do dólar está uma questão política mais importante. A China é como se sabe o principal credor da dívida americana. E fez ouvir esta semana a sua voz através do sítio na Web do Banco Popular da China num artigo intitulado ‘Reforme-se o sistema monetário internacional’, onde não se coíbe de dar lições de teoria económica e financeira.

Keynes de regresso à mesa de negociações

A proposta do seu governador, Zhou Xiaochuan, para uma maior ênfase nos direitos especiais de saque (tecnicamente designados em inglês como SDR – special drawing rights) emitidos pelo Fundo Monetário Internacional como divisa de reserva supra-estatal poderá ser a oferta chinesa para um compromisso político.

Uma alfinetada é dada no texto ao hegemonismo americano: a proposta inglesa de John Maynard Keynes, aquando da negociação de Bretton Woods, para a criação de uma unidade de conta internacional (o ‘Bancor’) teria sido mais «sagaz» do que a solução que os americanos impuseram então. Uma ideia keynesiana que Zhou diz querer repor na mesa hoje em dia.

Os chineses não descartam os 2 biliões de dólares (equivalente a 1400 mil milhões de euros) que têm em reservas – sossegam os americanos quanto a isso. Mas o comércio internacional e o sistema financeiro deveria mudar-se progressivamente para uma reserva independente que proteja os países com liquidez das incertezas sobre a gestão da crise americana e os liberte do controlo político da rede do capital financeiro da Wall Street nova-iorquina e da City londrina.

Os passos de que fala Zhou são claros: uso dos SDR na própria fixação de preços das commodities; lançamento de títulos denominados nessa base, o que, aliás, tem sido estudado pelo próprio FMI; criação de um fundo aberto denominado em SDR. Os chineses sabem que é uma «longa marcha», mas apelam aos americanos para que tenham «visão política e coragem».

Outro sinal dos tempos: a proposta chinesa afirmou-se com maior credibilidade do que a intervenção russa através do sítio do Kremlin na web que começou por ser tomada pelos analistas como «fantasia» – o que mostra a diferença de peso político entre a ex-superpotência e a nova grande potência.

Na Europa, o think tank LEAP/Europe 2020 publicou uma carta aberta ao G20 no Financial Times secundando a ideia de uma nova divisa internacional.

Entre os BRIC, será a potência do Índico a que maior capacidade de absorção terá face ao impacto da recessão mundial? Seis analistas e empresários indianos acham que sim.

Os indianos celebraram na semana passada o ‘Holi’, apesar do choque dos atentados terroristas em Mumbai ainda perdurar, e parecem ter mais motivos para gozar este festival hindu de cor do que os chineses quando puseram o pé no novo ano do Búfalo.

A Índia recolhe estranhamente unanimidade entre os analistas: num deve e haver, parece ser uma excepção à crise que o director do Fundo Monetário Internacional garantiu esta semana que empurrará a economia mundial para uma recessão global. “Provavelmente sofreremos metade do que as economias desenvolvidas em termos de intensidade”, alvitra Soumodip Sarkar, professor em Évora.

A desaceleração económica da Índia será certa, mas é suave, diz a maioria – de 9,3% em 2007, para 7,8% em 2008 e talvez 6,9% este ano quanto ao crescimento do produto interno bruto (PIB). Mas cresce o número de analistas que aponta para um patamar entre 5 a 6% e um dos mais pessimistas vaticinou no ‘The New York Times’ que em 2010 o crescimento não seria superior a 2,6%.

Mesmo com tantas nuvens e incerteza, alguns analistas esperam que a Índia até consiga ficar acima (!) da China, que tem sido a campeã do crescimento nos BRIC (grupo das quatro potências emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China, criado pela Goldman Sachs em 2003). A longo prazo, diz o Professor Rajesh Chakrabarti, da Indian School of Business, em Hyderabad, “a Índia será o BRIC com a trajectória de crescimento mais longa, dada a sua demografia, pelo que estará em muito boa posição aquando da próxima retoma”.

Teoria virada do avesso

O optimismo moderado sobre a Índia não resulta da ficção ‘Slumdog Millionaire’ ter sido premiada em Hollywood com oito Óscares e prometer dar mais um empurrão no negócio de Bollywood.

Advém do facto da teoria económica do desenvolvimento rápido ter sido virada do avesso. O que ontem era um ponto forte para um crescimento rápido dos famosos «tigres» e candidatos a tal, o papel motor das exportações, hoje parece ser uma dependência que só dá dor de cabeça porque o comércio internacional, já o disse o Banco Mundial há algum tempo, vai quebrar este ano. Os chineses estariam a sofrer mais com essa reviravolta.

“As exportações em relação ao PIB pesam apenas 15%, comparado com 35 a 40% na China, Filipinas e Coreia ou 60% na Tailândia e Taiwan ou quase 90% na Malásia e Singapura”, observa Ashutosh Sheshabalaya, consultor e autor de ‘Made in India’. Analisando pela óptica da “abertura ao exterior”, incluindo todo o comércio internacional realizado pelo país (ou seja importações e exportações), “o peso no PIB é apenas de 44%, menos de metade, um valor muito mais baixo do que nos outros países asiáticos”, sublinha, por seu lado, Mohandas Pai, responsável pela área de Recursos Humanos da Infosys.

Na Índia, pelo contrário, a orientação dominante «para dentro» levou as empresas indianas a disporem de um enorme «mercado cativo», sublinha, por seu lado, P.A.Narayan, um empreendedor da área farmacêutica, fundador da Cleatus Laboratories, em Bangalore.

Na verdade, a Índia escapa aos maiores rigores da crise sobretudo ao nível dos impactos na economia real porque está menos exposta às oscilações da exportação e porque dispõe de um mercado interno com mais de 250 a 300 milhões de consumidores da classe média em termos de paridade de poder de compra.

Válvulas de escape

Na exportação, a Índia tem uma particularidade que a pode imunizar de um ponto de vista relativo: “alguma inelasticidade”, diz Sheshabalaya. Uma parte muito dinâmica são exportações de serviços de alto valor (nomeadamente serviços críticos às empresas apoiados em tecnologias de informação), joalharia e pedras preciosas (um valor de refúgio em tempos de crise), turismo de saúde, farmacêutica e biotecnologia, saúde à distância (e-health), manufactura flexível e produtos e tecnologias desenhadas propositadamente para o mundo em desenvolvimento. No entanto, globalmente, a exportação caiu 20% nos últimos quatro meses, particularmente afectando os sectores da confecção e automóvel.

É de esperar que a externalização de serviços e funções empresariais se venha a ressentir, diz-nos K R (Lan) Lakshminarayana, chefe de estratégia da Wipro, um dos três grandes das TI (juntamente com a Tata e a Infosys). “Os principais clientes do sector tecnológico e do afamado Bangalore são bancos, indústria, sectores que estão a ser afectados seriamente pela crise. Quando os nossos clientes estão doentes, nós também sofremos por tabela”. Mas, no entanto, Lan é de opinião que a necessidade de externalizar para a Índia falará mais alto no Ocidente do que as tendências para uma subcontratação geograficamente mais próxima (designada por nearshoring):

“A racionalidade económica do nosso modelo de negócio – que, recorde-se, é tripla, escala, competências e preço – é difícil de replicar”. Nas competências, a Índia inclusive tem “subido na cadeia de valor” com serviços cada vez mais baseados no conhecimento intensivo, sublinha Narayan. “50% das exportações nesta área são a este nível”, diz Sheshabalaya, que acredita até que “a dependência internacional no software indiano vai ser crítica para a retoma económica”. Mohandas Pai considera que “o sector [indiano] das tecnologias sairá ainda mais forte desta crise, pois o resto do mundo se verá obrigado a fazer o downsizing”, frisando ainda: “O impacto da crise é perfeitamente temporário. A especialização da Índia [no outsourcing e no offshoring de serviços para clientes internacionais] é uma tendência permanente, evidenciada, aliás, pela falta de talento técnico adequado nos países da OCDE”.

É, contudo, curioso que a associação representativa do sector, a NASSCOM, não tenha apresentado uma estimativa dos negócios para o ano fiscal 2009-2010. Refere 34 mil milhões de euros em 2008-2009 e vaticina um salto para 47 em 2010-2011.

O caso da fraude da Satyam é considerado por todos um «incidente isolado», uma «anomalia», e não a ponta de um icebergue, pelo que não afectará seriamente a imagem do sector no estrangeiro.

Também o sistema financeiro é tido como mais sólido do que em grande parte da Ásia e claramente face à China: “Conseguimos um bom equilíbrio entre poupanças (35%) e investimento. O nosso sistema bancário é intrinsecamente forte”, assegura Lan, no que é acompanhado pelo outro empresário, Narayan. O «lixo» financeiro deve ser inferior a 2%. Já foi referido que apenas 1/500 do valor total dos activos bancários indianos foi associado a títulos de crédito hipotecário de alto risco. A concessão de crédito tem também, nos últimos meses, crescido a um bom ritmo (20% mais recentemente).

O principal ponto fraco indiano, diz Sarkar, são as infra-estruturas. “Agora é a melhor altura para mexer nessa área que está em situação desastrosa”. “A que se junta uma bolsa devastada por uma queda de 60% desde o pico em Janeiro de 2008 e um sector imobiliário que quebrou mais de 30%. A rupia caiu mais de 25%. Mas não estamos numa situação de pânico”, conclui Rajesh Chakrabarti. A China tem nestas áreas duas vantagens sobre a Índia, refere-nos Mohandas Pai: “Uma muito melhor infra-estrutura e umas colossais reservas em divisas estrangeiras que pode usar como almofada de segurança”.

Tesouros escondidos

No campo do consumo, paradoxalmente, há uma grande margem de crescimento, mesmo no fundo da pirâmide, como anda há décadas a dizer o guru da gestão C.K. Prahalad. Uma «mina de ouro» escondida nas tais ‘cidades de lata´ como Dharavi – mesmo no centro de Mumbai, considerada a maior «favela» da Ásia – de onde saiu o jovem milionário do conto de fadas.

‘Slumdog Millionaire’ é uma ficção extravagante num país que detém 2 magnatas no «top» dos 10 mais ricos do mundo da revista Forbes (segundo a última lista saída na semana passada) e em que grande parte da elite se enoja com os chaiwala (literalmente vendedores ambulantes de chá), apesar de alguns deles já serem apresentados como casos de estudo de micro-empreendedorismo em escolas de negócio.

Outro tesouro escondido é a diáspora indiana de alto nível que está a regressar para se reinstalar ou desenvolver projectos em parceria: “Essa é a vantagem de médio e longo prazo”, diz o empresário P. A. Narayan. O consultor Ashutosh Sheshabalaya estima que nos próximos 2 a 4 anos cerca de 100 mil indianos deixem os Estados Unidos e regressem à casa mãe.

“Seria preferível criar novos bancos com o apoio do dinheiro dos contribuintes americanos”, diz o analista financeiro Peter Cohan numa entrevista que pode ler na íntegra em inglês.

Nacionalizar parcialmente zombies – como estão a ser alcunhados alguns grandes bancos e outras instituições financeiras americanas – a pretexto de que são demasiado grandes para falir é uma estratégia condenada ao fracasso. A sua desaprovação é todos os dias dada na Wall Street – o Dow Jones Industrial Average (DJIA) já caiu 52% desde o pico em Outubro de 2007, sendo a segunda maior queda de sempre na história da bolsa americana. Os casos dramáticos do Citigroup e do AIG são os mais recentes sinais.

Ovos na mesma cesta (sem fundo)

Em vez de meter os ovos todos no cesto (sem fundo) de instituições financeiras que já são consideradas verdadeiros mortos-vivos, o guru de Boston advoga que o que resta do fundo TARP de 700 mil milhões de dólares iniciais (criado no tempo da anterior Administração Bush pelo secretário do Tesouro Paulson) e o que Obama já cabimentou para o novo ano fiscal (mais 250 mil milhões de dólares em provisão que poderão equivaler a apoios na ordem de 750 mil milhões) poderia servir para incentivar parcerias público-privadas que renovassem o tecido da alta finança americana.

“Estes novos bancos estariam limpos do lixo tóxico nos seus balanços e teriam um poderoso incentivo para emprestar o seu capital e atrair novos depósitos. Os novos bancos seriam capazes de atribuir crédito à economia real, o que os zombies decidiram não fazer, apesar de terem recebido dinheiro dos contribuintes”, diz Cohan.

Morte assistida

O que o analista advoga em relação aos zombies é uma morte assistida. «O dinheiro que já foi aplicado deveria servir para planear a falência destas instituições, de modo a que as consequências não sejam desastrosas», refere Cohan, que responde ainda à acusação de irresponsabilidade visível no facto da anterior Administração ter deixado cair o Lehman Brothers sem essa “morte assistida”.

No caso de uma gestão do estado moribundo dos bancos zombie, Cohan admite que separar o que ainda tem valor – e que poderá interessar a investidores – do que é «lixo» pode ser uma política. Quanto ao «lixo» alvitra a ideia de criar uma bolsa para negociar os CDS (credit default swaps), um dos mal-amados desta crise, por exemplo.

Caso sueco não se aplica

Sobre a bondade de uma estratégia de nacionalizações bancárias do tipo da que os suecos fizeram nos anos 1990, Cohan é peremptório: “Não se aplica. A actual situação é diferente devido à titularização e à interconexão global. Na Suécia, nacionalizar bancos não fechou o resto do mundo financeiro. Nos EUA, se isso fosse feito teria repercussões globais. Também, no caso sueco havia muitos maus empréstimos mas de um tipo convencional, que eram fáceis de valorizar. O actual lixo tóxico é muito mais difícil de valorizar e é muito difícil saber onde está o fundo”.

Dow Jones poderá continuar queda livre

Cohan crê que a Wall Street ainda não bateu no fundo, apesar de no mês de Fevereiro se terem batido todos os mínimos desde o pico em Outubro de 2007. O mês de Março abriu na mesma linha de continuidade – a queda do DJIA foi hoje de 4%, empurrando o índice para baixo dos 6.800 pontos. O que significa que o «crash» bolsista iniciado em 2007 já é maior do que o de 1942, até à data o segundo maior depois do dos anos da Grande Depressão.

O analista Mark J. Lundeen aponta para uma correcção na ordem dos 60%, mas Cohan admite que pode ir muito mais abaixo. Porquê? «Porque muitos conglomerados, como é o caso da GE, são na realidade instituições financeiras com uma roupagem de fabricantes», diz o analista. O que significa que muitos outros pesos pesados do NYSE são mais finança do que economia real, apesar de ainda parecerem o contrário. O que torna ainda mais vulnerável a bolsa.

A finalizar Cohan acredita que o «timoneiro vermelho» continuará a dar a mão ao Tio Sam neste período difícil: “A China e os Estados Unidos têm uma espécie de sistema de destruição mútua assegurada se se divorciam”.