Sex 27 Fev 2009
Fevereiro fecha com 50% de quebra bolsista na América
Por JNR na secção Globalização , História Económicaainda sem comentários
O mais antigo índice da Bolsa de Nova Iorque fechou o mês de Fevereiro atingindo o ponto mais baixo do ciclo desde o último pico da Wall Street em Outubro de 2007. A quebra bolsista está próxima dos 50%, o que a coloca como a terceira mais grave de sempre.
A situação de intervenção estatal nos dois grandes bancos americanos em dificuldades – Citigroup e Bank of America, já alcunhados de «zombies» – aprofundou ainda mais a derrocada da Wall Street com o índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) a fechar o mês de Fevereiro com o nível mais baixo desde o pico em Outubro de 2007.
As incertezas sobre o futuro do Citigroup levaram hoje a bolsa americana a fechar nos 7062,93 pontos, acumulando uma quebra de 49,9% desde Outubro de 2007, altura em que se atingiu o pico e sucedeu o início do «crash».
O mês de Fevereiro – como aqui chamámos à atenção – revelou-se como um período de sucessivos pontos baixos, com o DJIA a descer progressivamente dos 8000 pontos para o patamar dos 7000.
Com uma desvalorização de quase 50%, este «crash» de 2007/2009 é já o terceiro maior desde o início do Dow Jones em 1885 – pior só o da Grande Depressão (89% de quebra até 1932) e o de 1942 em plena Guerra Mundial. Uma pequena barreira separa a derrocada actual da que ocorreu nos anos 1940.
Mark Lundeen, o analista que tem mantido um modelo de comparação entre o «crash» actual e o de 1929/1932, estima que a quebra ainda possa chegar aos 60% neste semestre. E que se torne a segunda mais grave da História da Wall Street.
As razões para o pânico em bolsa mantêm-se. Grande parte do icebergue do lixo tóxico financeiro continua por vir à tona de água. Os bancos «zombies» continuam a lutar pela sobrevivência nos cuidados intensivos. A economia real americana revela com atraso os números da sua recessão deixando um efeito psicológico devastador – hoje soube-se que o PIB (real) no quarto trimestre de 2008 caíu 6,2%, um aprofundamento dramático da crise, na medida em que no terceiro trimestre do ano passado havia caído ligeiramente, 0,5%.