Quase 100 mil milhões de dólares (cerca de 64 mil milhões de euros, naquela altura), em valores líquidos, foram desinvestidos dos Estados Unidos por privados estrangeiros, segundo os dados relativos a Julho divulgados pelo Tesouro americano no final de Setembro.

O défice desta balança de capitais internacionais não foi tão elevado porque as instituições oficiais estrangeiras ainda não optaram pela saída. Deste modo, o défice negativo foi de cerca de 75 mil milhões de dólares (cerca de 48 mil milhões de euros, na altura), metade do que se verificara no mês crítico de Outubro do ano passado (ver gráfico divulgado pelo analista americano Dan Norcini).

Os investidores portugueses ainda continuam a acreditar nas aplicações nos EUA, com um saldo positivo de 229 milhões de dólares (148 milhões de euros, naquela data), mas 68 milhões de dólares (44 milhões de euros, naquela data) foram desinvestidos, em termos líquidos, em acções de empresas americanas e estrangeiras sedeadas na América. Apesar de Portugal (que tem a referencia 12319 nas contas americanas) ser um pequeno investidor, o padrão de comportamento começa a ser similar à «média» dos estrangeiros.

As aplicações em títulos de longo prazo americanos pelos estrangeiros atingiu um saldo negativo de 25,6 mil milhões de dólares no final de Julho. Este défice só foi equilibrado nas contas americanas porque os americanos desinvestiram no mundo em títulos de longo prazo, em termos líquidos, 31,7 mil milhões.

Asiáticos dão sinal vermelho

Os próximos dados relativos a Agosto só serão divulgados a 16 de Outubro, mas muitos analistas esperam o agravamento desta fuga de capitais dos EUA, em virtude do actual plano de “limpeza” dos activos tóxicos poder fazer disparar o défice orçamental (que poderá aumentar 2,5 vezes num só ano) e a dívida nacional americana (que poderá chegar aos 80% do PIB) para valores recorde próximos do que acontecia nos anos 1950, depois da Segunda Guerra Mundial.

A imagem de marketing financeiro dos Estados Unidos junto dos asiáticos está claramente a esfumar-se. Os analistas japoneses – cujo país detém 12,5% dos títulos do tesouro americanos – já afirmam que essas aplicações poderão ficar excessivamente caras. Por seu lado, a China – que é o número dois estrangeiro, a seguir ao Japão, nesses títulos – anunciou, em Setembro, que proibia os 7 bancos chineses envolvidos no mercado interbancário de emprestarem a investidores financeiros americanos. A exposição chinesa ao «subprime», à Fannie & Freddie e à Lehman Brothers é superior a 35 mil milhões de dólares, segundo foi revelado.

Também, neste campo, o dilema do Tesouro e da Reserva Federal é cada vez mais agudo, diz o analista Peter Cohan: ou aumentam as taxas de juro para atrair fundos, o que empurra para uma recessão profunda, ou continuam a imprimir notas, disparando o indicador de massa monetária (M3), e acentuam o colapso do dólar.