Qua 8 Out 2008
Banca americana está submergida em reservas tóxicas
Por JNR na secção A questão dos impérios , Geoprotagonistas , Gestão do risco , Inteligência Económica , O novo capital financeiroainda sem comentários
As reservas reais da banca americana afundaram-se desde finais de 2007. Há um buraco de 150 mil milhões de dólares. A própria Reserva Federal tem 57,68% das suas reservas em activos financeiros que não se sabe bem o que são. São dados preocupantes revelados pela revista Barron’s, dados que têm implicações profundas na vulnerabilidade financeira da superpotência.
As reservas bancárias do sistema financeiro americano que não dependem de pedidos de empréstimos no mercado interbancário caíram a pique desde o final de 2007 (ver gráfico gerado pelo analista Mark J. Lundeen para o fórum Le MetropoleCafé). A quebra é de 150 mil milhões de dólares (80% do PIB português de 2007), segundo os dados revelados pela revista Barron’s, do grupo The Wall Street Journal.
Para manter as reservas totais necessárias, a banca americana teve de pedir emprestado um montante de 250 mil milhões, desde Fevereiro de 2008. A interrogação, agora, é se o conseguirá pagar.
A par do afundamento das reservas reais, a banca americana tem sido autorizada a criar reservas duvidosas, associadas ao que hoje se chamam de instrumentos financeiros tóxicos, que os bancos não conseguem, agora, transformar em liquidez, a partir do momento em que a confiança interbancária ruiu. A ordem do Tesouro americano para irem ao mercado global arranjar capital de verdade para tapar o buraco resultou em fracasso – os fundos soberanos e os bancos de várias potências ligadas aos petrodólares e aos dólares do comércio asiático não responderam satisfatoriamente à chamada.
Por isso, os banqueiros rezam pela intervenção do emprestador de último recurso – a Reserva Federal (FED). O problema é que, também, o banco central parece sofrer da mesma doença contagiosa. Ainda segundo dados da Barron’s, a conta do FED revela que, actualmente, apenas 42,32% das suas reservas se baseiam em títulos do Tesouro. O restante – que é a maior fatia do bolo – é “de proveniência desconhecida”, dizem os analistas. E os rumores rapidamente tomaram conta do assunto.
Um outro aspecto intrigante: os gráficos publicados pelo analista Mark J. Lundeen mostram que a diferença actual entre o crédito total concedido pelo FED (mais de 1.100 mil milhões de dólares, 1,1 triliões na designação anglo-saxónica) e as reservas baseadas em títulos do Tesouro (menos de 500 mil milhões de dólares) fica muito próxima dos 700 mil milhões agora pedidos para sanear o sistema financeiro americano. Estranha coincidência.