Ter 16 Set 2008
Kissinger propõe aliança política contra a OPEP
Por JNR na secção Choque petrolífero , Geoprotagonistas[2] comentários
Num artigo publicado no International Herald Tribune, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger e Martin Feldstein, professor de economia da Universidade de Harvard e ex-conselheiro de Ronald Reagan, apelam a que os Estados Unidos promovam uma aliança política dos “principais países consumidores” de petróleo que altere o actual desequilíbrio no mercado energético a favor da OPEP.
O político norte-americano propõe a criação de um grupo de coordenação entre o Grupo dos 7 mais desenvolvidos (o G7 é formado pela Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), com a Índia, a China e o Brasil, para o qual a Rússia deverá “ser convidada a participar neste esforço”. Esta ‘deixa’ para o convite da Rússia choca, naturalmente, com algumas ambições desta potência para criar um cartel similar ao da OPEP no sector do gás natural e face à sua presença como observador nas reuniões do cartel petrolífero.
O objectivo político é claro: alterar as tendências de longo prazo neste mercado, reduzindo o preço do barril do ponto de vista imediato, e “terminar com a chantagem dos fortes [do crude] sobre os fracos”.
Esta cooperação deverá incluir intervenções de emergência para contra-atacar boicotes selectivos ou interrupções de fornecimentos.
Intitulado “The Rising danger of high oil prices”, Kissinger refere as “enormes” consequências geopolíticas que estão a decorrer da escalada do preço do barril de petróleo, permitindo o fortalecimento da liquidez financeira dos países exportadores, o reforço do seu papel monopolista neste mercado (que se tornou um mercado dominado pelos vendedores), e as oportunidades geopolíticas que abre a esse grupo para intervir “desproporcionadamente” na cena mundial, directa ou indirectamente.
Apesar da última reunião da OPEP, realizada dia 9 de Setembro, ter revelado linhas de fractura interna (com a Arábia Saudita a contradizer no dia seguinte nos meios diplomáticos a resolução de “corte” na quota global de produção pelo cartel nos próximos quarenta dias), o ataque político de Kissinger deverá provocar alguma onda de choque.
Kissinger, hoje com 85 anos, foi secretário de Estado dos presidentes americanos Nixon e Ford entre 1973 e 1977 e conselheiro de Segurança Nacional entre 1969 e 1975.
Setembro 17th, 2008 at 10:08
A ideia geral tem lógica: Normalmente, o agrupamento dos compradores de um
produto aumenta a sua força.
No entanto, o petróleo não é algo que se possa produzir em maior
quantidade quando falta, e estamos a um passo do Peak Oil, pelo que neste
caso concreto uma organização desse tipo pouco mais pode fazer do que
constituir stocks para acudir a emergencias, ou coisas desse tipo.
A menos, claro, que ameace com invasões militares dos produtores.
Mas mesmo nesse caso (para além das dificuldades de ocupar paises hostis,
e manter bem protegidas as instalações de produção e transporte de
petróleo), o Peak Oil acabará por resultar em progressiva escasses, e em
continuação da subida dos preços…
Ou seja, não é má ideia, mas não poderá resultar em nada mais do que já é
feito pelos USA e pela IEA/OECD (com as suas Reservas Estratégicas)…
Dezembro 3rd, 2008 at 14:22
Não concordo!
Importa é isolar, paises produtores de petróleo anti economias ocidentais, como é o caso de angola,venezuela de chaves, russia de putin/medvedev,china, iraque, iemen, ann so on…
esses paises terão que pagar o mesmo preço nas suas importações que exigem para os produtos que exportam—olho por olho…
pode ser que assim deixem de ser tão egoistas…
esquecem que quem mais os subsidiam é de quem mais especulam…