Qua 13 Jun 2007
Questões inquietantes no consenso de Bloomington
Por JNR na secção Geoprotagonistas , Globalizaçãoainda sem comentários
Uma participação numa conferência de cientistas dos ciclos longos económicos e geopolíticos que decorreu no bucólico campus de Bloomington (100 km de Indianapolis, no Indiana, nos EUA, e um espaço gigante «verde» que alberga 50 mil estudantes), deixou-me algumas interrogações inquietantes.
Sobre o que lá se discutiu dou uma breve sinopse num artigo publicado em www.janelanaweb.com.
Sobram as questões, que aqui deixo:
- Se a Ásia é hoje a região do mundo onde há maior número de grandes potências potencialmente irrequietas (como foi o caso da Europa no passado), o debate estratégico deve centrar-se aí e não no Médio Oriente, onde aparentemente todos os recursos geopolíticos estão a ser colocados por força das questões Palestina, Iraque, Irão, Líbano e Síria?
- Poderá a Rússia projectar-se como um «challenger», retomando ambições hegemónicas antes contidas, na linha da emergência no tempo do Império Russo e depois com o projecto hegemónico da União Soviética (que implodiu)? Quererá a Rússia do século XXI tirar a «revenge»?
- Poderá o Japão, um «challenger» derrotado na IIª Guerra Mundial, retomar o seu caminho de ambição geoestratégica, depois do fracasso do seu projecto (pacífico) globalizador no plano económico e financeiro nos anos 1980?
- Será que a China cortará com a sua tradição histórica milenar de afirmação no âmbito do softpower, e avançará para uma postura de «challenger», ou continuará com a estratégia de passos na «sombra», aproveitando o enfraquecimento do hegemonista e a debilidade de outros concorrentes?
- Conseguirá a China convencer os Estados Unidos e evoluir para uma solução política inovadora que resolva pacificamente a questão de Taiwan e do Tibete?
- Será que a Índia conseguirá conter a sua ambição geoestratégica e evitar «rasteiras» na complexa situação da Península Hindustânica?
- Quais são os pontos geográficos a monitorar, susceptíveis de desencadear guerras locais ou regionais entre terceiros, que possam, em cascata, implicar alinhamentos forçados das grandes potências?