Novembro 2006


A opção pela dependência da potência hegemónica emergente: de Luísa de Gusmão à 1ª Grande Guerra

Portugal não mais riscaria no mapa das grandes potências, apesar dos esforços de João IV (1640-1656) em múltiplos tratados e mais tarde da decisão da regente Luísa de Gusmão (1656-1662), sua mulher, em retomar a velha aliança com a Inglaterra.

Recorde-se que o primeiro tratado com Londres se celebrara em 1373 e com a rainha Luísa de Gusmão seria reanimado em 1661, numa manobra estratégica de provável entendimento do sinal dos tempos. Em artigo secreto deste Tratado, a Inglaterra comprometia-se a defender as colónias portuguesas “contra inimigos presentes e futuros”.

Em 1703, no reinado de Pedro II, seria assinado com os ingleses o Tratado de Methwen, em que, em termos simplistas, se trocavam vinhos portugueses por trapos ingleses – de novo, a velha sina da “maldita” desvantagem comparativa.

Esta opção estratégica pelo eixo com os ingleses ficaria clara durante o governo do Marquês de Pombal (no reinado de José I). Na Guerra dos Sete Anos (1756-1763), Sebastião José de Carvalho e Melo recusou o “Pacto de Família” (dos monarcas Bourbons da Europa) sugerido por Luís XV, de França, e apoiou os ingleses. Fez bingo, pois seriam estes que ganhariam a contenda hegemónica europeia.

Manobras estratégicas

É no quadro desta aliança renovada com os ingleses, a potência global que tomaria o lugar da Holanda, que se podem entender diversas manobras estratégicas de sobrevivência do nosso país (e do espaço colonial) até ao começo do século XX.

Muitas dessas manobras estratégicas têm sido severamente criticadas como “recuos vergonhosos” e “traições” por muitos historiadores e políticos, numa lógica de visão da História como se o Portugal de Quinhentos continuasse no activo.

Os dois momentos-chave desses recuos estratégicos foram dois.

A “deslocalização” formal do Reino (1807) para o Brasil aquando das invasões napoleónicas pelo regente João VI deixando aos generais ingleses Wellesley e Beresford o contra-ataque em defesa deste «hub» da ponta extrema europeia que não poderia ser deixado nas mãos de Napoleão, o desafiador do domínio inglês.

E, mais tarde, a aceitação do Ultimatum inglês (que daria uma forte “mordidela” no espaço colonial africano dominado pelos portugueses) pelo monarca Carlos I em 1890.

Fruto destas manobras de sobrevivência estratégica, surgiriam três prendas envenenadas para o regime monárquico: a independência do Brasil (1822), o maior e mais desenvolvido espaço colonial português; a emergência do Partido Republicano (desde 1890); e a ditadura de João Franco (1906-1908) que terminaria com o regicídio de Carlos I e de seu primogénito.

Ajudar a “dobradinha” inglesa

Dentro do alinhamento com a potência hegemónica, os Republicanos decidiriam em 1916 aprisionar os barcos alemães no rio Tejo, e na sequência a Alemanha declara guerra a Portugal.

A Alemanha do Kaiser Guilherme II declarara guerra à França em 1914, no quadro de uma tentativa para a hegemonia da Europa há muito traçada e que vinha sendo preparada meticulosamente.

O que viria a ser conhecida como 1ª Guerra Mundial foi a expressão de um velho plano desenvolvido por Guilherme II desde 1890, quando o chanceler Bismark resignou.

O Kaiser falava de um “Novo Curso” que se traduziria em planos de guerra “pre-entiva” e “preventiva” elaborados por von Schlieffen em 1905 e depois revistos por von Moltke, que dirigiria a primeira fase da guerra em 1914.

Em 1917 um Corpo Expedicionário Português parte para França, em que participaria o então coronel Gomes da Costa (mais tarde graduado a general, que encabeçaria o golpe de estado de 1926 contra a República democrática), no mesmo ano em que os Estados Unidos entrariam, também, na Iª Guerra Mundial ao lado de ingleses e franceses.

O resultado é conhecido: os ingleses conservariam o seu estatuto de potência global, fazendo a “dobradinha” na derrota de um desafiador. Tendo emergido, na sombra dos holandeses, desde 1756, os ingleses derrotariam as ambições hegemónicas da França de Napoleão Bonaparte em 1815, renovando o seu mandato de potência global. O que aconteceria, pela primeira vez, na história das potências globais.

Em 1918, os ingleses bateriam a primeira vaga do desafio alemão, mas já à custa de muitas manobras e recuos estratégicos, recentemente contados, como “lição” para a Administração americana de hoje, no livro “Ethical Realism: A Vision for America’s Role in the World”, de Anatol Lieven e John Hulsman, publicado agora na Pantheon Books (Random House).

Continua em Grandes Portugueses IV – O Fim da Mais Velha Aliança

283163633_35ec6dffec_m.jpgFrom the blog of reporter and professor Rebecca MacKinnon, http://rconversation.blogs.com/, we “pick” this article and photo about the second annual Chinese blogger conference in Hangzhou (South of Shanghai):

«(The conference) came at a time when Chinese government authorities are feeling threatened by this new grassroots medium and are trying to find ways to control it. The proposed “real name system” policy (still under discussion, not yet implemented) would require bloggers to register their real names and identities with their blog hosting services and to publish under their real names. Most seemed to agree that the proposed system would be hard to implement without destroying the business of many blog-hosting companies. More than that – they are bewildered that they should be feared rather than praised for their creativity and initiative.

As the A-list tech blogger Keso pointed out in his keynote speech: “Those who think that blogs are violent or threatening only see it that way because they view society as threatening.” (I blogged his speech in more detail here.) (…)Foreign participants could not help but come away being impressed by the creativity, optimism, and idealism of China’s Internet generation. The people in this room are not socially disruptive revolutionaries. They are people who would like to get on with the business of finding ways to use the Internet to improve people’s lives. To the extent that politics won’t prevent them from doing so, they would prefer not to be involved with politics.

In the final panel on entrepreneurship, Isaac Mao pointed out that if you really want to sustain your company’s success over the long run, your focus should be on the value you create for your users, rather than simply on profits. As Chen Xuer put it, the goal of a Web 2.0 company should be to help “fulfill people’s urgent needs and also find ways for people to live their lives more fully.”

If one extrapolates China’s future from this group of individuals, you see a peace-loving, compassionate, humanistic, globally minded, flexible, hard-working lot who are well poised to drive Chinese innovation…. and to drive it in directions that the entire world should certainly welcome. The Chinese government would be crazy not to embrace them as poster kids for China’s future. If the government is not capable of doing so, it will be to the long-term detriment not only of China’s economy but also of China’s global credibility, which in turn has an impact on China’s long-term global influence.»

«Link» for the Conference: http://www.cnbloggercon.org/2006/en

Who is Rebecca, that by January 2007, will move to Hong Kong: http://rconversation.blogs.com/about.html