A Escola de Gestão de Harvard e uma consultora de geo-política lançam ‘Global Risk Navigator’, uma ferramenta para apoiar os gestores nas suas decisões de investimento directo estrangeiro ou exportação

 

Avaliar o grau de risco político nas decisões de internacionalização nos países emergentes passou a ser possível na Web. A revista de gestão da Harvard Business School (Harvard Business Review) com o gabinete de consultores Eurásia, especializado em geopolítica, lançou o sítio www.navigaterisk.com, onde disponibiliza, temporariamente, uma demonstração gratuita de uma ferramenta de avaliação mensal do risco.

 

Dos 24 mercados emergentes seleccionados pelo ‘Global Risk Navigator’, curiosamente, nenhum é classificado de “baixa estabilidade” (alto risco) ou mesmo de “estado falhado” (risco máximo), apesar de países como o Irão – um dos integrantes do “Eixo do Mal” para a Administração norte-americana – e a Venezuela estarem nessa primeira lista de observação. Na avaliação de Setembro, quer o Irão quer a Venezuela manifestaram um índice de estabilidade moderada, e sem alteração prevista para Outubro.

 

Por outro lado, em relação aos 12 mercados externos emergentes, considerados prioritários em Portugal, oito têm estabilidade elevada (ver quadros). No entanto, os mais bem classificados são dois países da União Europeia oriundos da outrora chamada Europa de Leste – Hungria (que lidera o «ranking» dos emergentes) e Polónia, que inclusive melhorará o seu nível de estabilidade em Outubro.

 

Em relação a destinos de investimento muito falados em Portugal, como no caso do Brasil, a tendência para Outubro seria de melhoria do indicador de estabilidade, apesar do relatório da Euroasia vaticinar uma vitória do recandidato Lula logo à primeira volta, falhando na apreciação da capacidade de Geraldo Alckmin forçar uma segunda volta, como sucedeu no fim-de-semana passado. Também a China recebe um sinal de melhoria, dada a apreciação de que o presidente Hu Jintao estaria a consolidar o seu poder.

 

Os países de que dependemos em termos energéticos não conseguem mais do que uma classificação de “estabilidade moderada” e um deles poderá mesmo passar para “baixa estabilidade” – a Nigéria, onde 40% da produção está permanentemente em risco, em virtude da situação de guerra civil no Delta do Níger.

 

O conceito de risco utilizado nesta ferramenta não é o comum nas análises financeiras e económicas, nem nos comentários políticos correntes, muitas vezes escritos na base de reacções à flor da pele. O responsável da Eurásia, o analista geo-político e geo-económico Ian Bremmer, um doutorado em ciências políticas da Universidade de Stanford, refere que o índice de estabilidade que a sua consultora usa baseia-se na avaliação da capacidade estrutural dos governos e dos Estados em lidarem com choques, que surgirão inesperadamente, sem pré-aviso. Um outro indicador de estabilidade que esta firma sedeada em Nova Iorque comercializa é elaborado em parceria com o Deusche Bank.